Resposta a “vam”

Opinião 5

De: “vam”

“Porque consideram a criação de um novo partido uma alternativa melhor que a intervenção nos partidos existentes?”

Resposta

Caro respondente da sondagem, consideramos um partido a solução por basicamente duas razões: o nosso sistema político ainda é um sistema político partidário (por muito que nos queixemos e falemos contra os partidos como um todo enquanto organizações de tipo partidário, a verdade é, com todas as suas falhas, só por partido se intervêm significativamente no sistema político. Têm havido nos últimos anos muitos parlamentos “a brincar” feitos na rua, comunas de tendas em ruas citadinas, activismo hacker e manifestações, mas por interessantes ou nem tanto que sejam as experiências os seus resultados concretos são nulos porque não se apercebem que não podem ter grandes consequências porque o sistema político “normal”, fechado em parlamentos e liderado por partidos e não por associações de sociedade civil, continua na mesma, completamente não afectado por essas experiências), e porque o problema são não os partidos mas o facto de serem organizados de forma não-democrática no seu interior (como podemos ter mais que esta simples “semidemocracia” se os partidos que temos a defender a democracia são não-democráticos no seu interior, ignorando os seus próprios militantes e sendo governados por comités das grandes cúpulas dos partidos?).

Derivado destes dois pontos (e do facto de que, ao contrário de outros país como a Islândia, em Portugal as propostas de revisão constitucional por exemplo, só podem partir de formações políticas e nunca de grupos de cidadãos ou outras organizações da sociedade civil) percebemos que a política só se altera “jogando” no mesmo campo que os outros partidos políticos que “perderam a alma” e não são democráticos internamente. É isso que a vida real nos mostra: os “abanões” políticos bem necessários que têm sido dados na política portuguesa a nível regional autónomo foram dados não por candidaturas apartidárias e listas de cidadãos mas por partidos (o PND e mais tarde o PTP na Madeira e o PPM e o PND nos Açores). A nível local esses abanões também têm sido dados pelos poucos partidos não presentes na Assembleia da República (como uma ou outra freguesia do MPT). Mas dir-me-á, alguns dos abanões a nível local não foram dados por listas de cidadãos independentes? De facto sim, mas a verdade é que, em qualquer nível acima do concelhio, tal sucesso com listas independentes é impossível: a nível local, em que (ao contrário dos Estados Unidos em que muitas cidades e vilas têm estações de televisão próprias) partidos e listas independentes têm frequentemente igualdade de acesso aos media locais, é fácil os partidos concorrerem em igualdade de oportunidades, mas a nível autonómico nas ilhas e legislativo nacional torna-se impossível uma lista independente concorrer em igualdade de oportunidades com os partidos, visto que os partidos vêm de forma constitucional mais ou menos automaticamente garantido um certo tempo de antena na RTP 1 e 2, Açores, Madeira e restantes ramos e são também mais visíveis para os canais privados, os partidos (dependendo das suas finanças) conseguem mais facilmente aceder aos media impressos e radiofónicos, enfim, estão num outro nível com o qual uma lista independente a nível nacional (excepto se com apoios milionários à candidatura de Ross Perot nos EUA) não poderia competir.

Como tal escolhemos concorrer o nosso projecto de democracia semidirecta e exemplo de um modelo partidário com verdadeira democracia interna através de um partido visto que o sistema político se encontra enviesado para os partidos. Pelas razões que indicámos, até para mudar esse enviesamento é preciso intervir através de um partido, por paradoxal que pareça.

Vítor Monteiro – Coordenador de Comunicação

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2 thoughts on “Resposta a “vam”

  1. Percebe-se bem e ficou bem clara a necessidade dos partidos políticos, mas a minha pergunta não era sobre isso. Da preferência de um novo partido em relação à intervenção nos partidos existentes foram dados os seguintes «esclarecimentos»:

    a) os partidos existentes «perderam a alma», não são democráticos internamente, ignoram os seus próprios militantes e são governados por comités das grandes cúpulas dos partidos;

    b) o novo partido tem um projecto de democracia semidirecta e verdadeira democracia interna.

    É pouco, muito pouco. Vejo muito trabalho, de muito boa qualidade, ser desperdiçado. Votos de melhor sorte numa próxima iniciativa.

    Atenciosamente,

    Virgílio A. P. Machado

  2. Infelizmente caro Virgílio, não podemos ser mais convincentes por palavras. Palavras leva-as o vento e o povo português, dos idealistas de Abril, aos quatro partidos tradicionais da democracia, ao PRD, aos movimentos de Pintasilgo e Nobre, já ouviu, acreditou e começou a duvidar de tudo. A principal diferença do nosso partido será de acções. Vocês participou na nossa sondagem. Fica uma ideia de como será todo o nosso funcionamento real. Não há comités centrais e centralismo democrático como no PCP, não há barões nem candidatos que são levantados pelas bases somente para criarem novo baronato e governarem sem ligar às bases excepto em congressos para “ficar bem na fotografia” como no PSD, não há altas cúpulas como no PS, nem triângulação de facções que são autênticos partidos dentro do partido à BE. Todos os membros e apoiantes são iguais, e mesmo quem tem cargos de coordenação na fundação deste partido não tem propriamente um posto mas antes mais responsabilidades e tempo ao partido devotado, mas não tem mais peso que um estudante ou desempregado que participe nas nossas sondagens online. Assim, aberto à sociedade fora do partido, decidiremos nome, logotipos e bandeira, e tudo o que será decidido no partido. Quando tivermos eleitos representantes deste partido, as suas intenções de voto nas assembleias locais ou nacionais em que estarão serão decididas também por votação de todos os apoiantes, online e (no futuro quando possível) por via de participação nas sedes. Para mais veja os organogramas de organização partidária. Para além de um modelo apra desenvolver democracia interna, estamos a desenvolver uns Estatutos que não permitam a tomada do poder por entrístas e não permitam uma tomada fácil do poder interno por um só grupo, de forma a descentralizar e favorecer a discussão interna e governo do partido por deliberação e consenso. Não falamos só de forma vaga de que vamos dar democracia interna autêntica, temos um modelo em desenvolvimento para a impôr e executar dentro do partido.

    Vítor Monteiro, Coordenador de Comunicação

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