Resposta a Ester

Comentário 1

De: Ester

“Penso que, a partir do momento que a Internet não chega e não é de todos os cidadãos, este tipo de votação não pode de ser denominada como “democrata”, pois democracia significa “Igualdade” nas várias vertentes da palavra. A participação do mesmo deve ser feito num local e com ferramentas onde todos possam estar representados, e se não estão é porque não o querem fazer, e não porque não o possam fazer. A internet neste aspecto “exclue” uma maior parte dos cidadãos. (é a mesma situação de estar na Europa e só participarem alguns em questões que tem interesse para todos…(inclusiva, civil, real, etc. tem muito pouco). Desculpem,mas é a minha opinião.”

Resposta

Ester, não vamos dizer que não tem razão, mas acontece que existem sempre exclusões de quaisquer das formas.  A nossa ideia é realmente termos sedes locais em todas as freguesias, ou pelo menos em todos os concelhos, recorrendo a militantes para que outras pessoas possam votar dentro do partido através de um computador com ligação à Internet (mesmo que necessariamente com auxílio de trabalhadores das referidas sedes). Mas ainda assim pode ser que existam pessoas que não tenham possibilidades de se deslocarem ao seu concelho para votarem.

Além disso como é que essas pessoas se manterão informadas do que se passa dentro do seu partido e do que está em discussão? Não podemos enviar cartas nem telefonar para casa das pessoas pois isso custa dinheiro e é completamente inviável. Sem usar a Internet não existe nada que se possa fazer para melhorar a democracia. Se queremos melhor teremos que ir por caminhos ainda não percorridos. E o tempo de isto se fazer é agora. Mais de 50% dos lares portugueses tem Internet, o que é considerável e será sempre a subir. Quem não a tem em casa tem na sua junta de freguesia, biblioteca ou em muitos casos escola de forma gratuita. Contudo também não excluímos a hipótese de no futuro celebrarmos acordos com operadores no sentido de conseguir que todos os nossos militantes tenham Internet e um computador em casa. Tudo para que todas as pessoas tenham as mesma oportunidade de intervir. Temos a certeza que este é o caminho e o futuro o irá confirmar. Algo como o que queremos fazer já existe na Suécia (e agora no Brasil) com o Partido Demoex (Democracia Experimental), em que as pessoas é que decidem realmente o que o partido faz através de votações internas. Nós queremos fazer ainda melhor em relação aos Demoexs ao ter uma efectiva estrutura partidária independente. Esperamos que nos acompanhe e que faça valer o seu poder como cidadã, o poder que deveria ter de decidir o futuro do seu país.

Obrigado

Ricardo Araújo, Coordenador Geral

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2 thoughts on “Resposta a Ester

  1. Tentativa de envio p/ mail directo dia 3/12:

    Boa tarde Senhor Ricardo Araújo.

    Só agora respondo ao seu mail, pois estou a realizar a minha tese de doutoramento, e como deve compreender o tempo que sobra é pouco. Contudo, alguns minutos conto para expor algumas situações deficitárias no seu discurso (ou antes, no discurso de voz do partido que representa).

    Agradeço desde já a resposta ao meu mail, pois democracia é mesmo isto: ter uma visão crítica e construtiva de assuntos que possam valorizar a sociedade e o cidadão.

    Contudo, a sua resposta começa com frases pouco construtivas como: “(…) acontece que existem sempre exclusões de quaisquer das formas” ou então “Não podemos enviar cartas nem telefonar para casa das pessoas pois isso custa dinheiro e é completamente inviável”.

    Ora, parto do principio que, se o seu partido é de construir uma sociedade mais participativa em diversos assuntos, através de actos eleitorais, este tipo de negativismo e individualismo não faz justiça à vossa “política”.
    Na minha opinião, o problema não está em ter uma maior participação das pessoas via Internet, mas sim conseguir que aquelas que não se encontram incluídas no circulo o possam estar, participando activamente.
    Lembro que uma das estratégias da Europa 2020 é fazer, quer a nível nacional, regional e local, que se fomente o desenvolvimento da economia (nomeadamente o das regiões menos competitivas, numa vertente de competitividade e sustentabilidade e de inclusão social (equidade social nas diversas vertentes que passam pela educação, formação, emprego, mas igualmente na forma de comunicar com o cidadão).

    O que quero dizer com isto é, a originalidade do vosso projecto seria “conseguir incluir” as pessoas que diz estarem já fora do baralho (“excluídas”) e que não podem ou não conseguem participar neste “circuito eleitoral” via internet.

    O facto de já existir este modelo em outros países, não quer necessariamente dizer que o mesmo é aplicável a um país como Portugal: pequeno, com um défice elevado de sentido critico, num cenário desfragmentado em termos económicos, sociais e educacionais. Mas não podemos parar de idealizar, de construir, é claro!
    É de todo relevante que a sociedade em geral, os cidadãos tenham a capacidade de inovar, de criar novas ideias, capazes de sustentar de forma liberal o que é melhor para nós, e não de fazermos um “edit-copy” de modelos sustentados em outros países.
    Actualmente, Portugal não tem a sustentabilidade verificada em outros países, conforme já mencionado acima (vertentes económica, social, comunicacional, educacional, etc)
    A nossa Identidade e a nossa História desmoronou-se, pois ao longo de várias décadas foram vários os “saques” cometido por pessoas, ditas governantes, que com discursos poucos coerentes e transparentes estavam (estão) mais preocupados com a imagem que fazem perante o Mundo e a Europa da Era Digital, que propriamente com a necessidade de governar o país.

    Relativamente à sua afirmação: “Mais de 50% dos lares portugueses tem Internet”

    Agora pergunto:

    – Qual a percentagem de pessoas que utilizam a internet para a educação, formação das crianças e dos adultos, para a informação ? (sim, porque ela também tem esta vertente, e outras bastante construtivas)

    – Qual a percentagem de pessoas que utilizam a internet para “comunicar” nos facebooks, twitters, jogar, etc (sim, porque mais uma vez digo que ela tem uma vertente construtiva, mas também muito desfragmentada e pouco lúcida)

    – Qual as idades dos utilizadores desses 50% que utilizam a Internet?
    Por exemplo, na resposta a esta última pergunta (pois existiriam muitas mais), qual acha que seria a percentagem das pessoas que tem idade para participar no acto eleitoral. Sim, porque provavelmente as pessoas que tem Internet em casa são maioritariamente as crianças e os adolescentes).
    O incentivo ao consumismo tecnológico (computadores, Internet, telemóvel) sobrepôs-se ao intelectual, ao informativo (debates sobre a política, a saúde, a economia, a comunicação, etc)

    Por último, o paradigma do seu discurso é que irão existir sempre excluídos, porém responde-me no final que este projecto é “Tudo para que todas as pessoas tenham as mesma oportunidade de intervir”.
    Desculpe, mas não são todas as pessoas a intervir, nem vocês entendam a Internet como sendo “tudo”, pois globalmente ela está para ficar, mas para servir interesses de “modas” pós-moderna e neo-liberais.
    Os novos Media digitais contribuem, sem dúvida, para este panorama pouco ético e credível, onde o que interessa é a velocidade e a quantidade a que chega a informação, menosprezando a verdade dos factos, a qualidade da mesma.

    A liberdade de expressão é uma forma de democracia que, espero eu, ter contribuído para um cenário mais credível no sucesso do vosso projecto. Tudo de bom!

    Melhores cumprimentos.
    Esther Ribeiro

  2. Estimada Ester, obrigado por nos dar a sua opinião e contribuir para uma discussão pública deste nosso projecto.
    Vou tentar abordar todos os pontos que apresentou. Começando pelo ponto da exclusão do sistema, visto que nenhum sistema é perfeito, pode sempre existir uma percentagem da população em maior ou menor grau excluída, por esta ou aquela razão, o que importa mais é ver que sistema conduzirá ao menor número de excluídos. Pense nos actuais sistemas partidários dos partidos portugueses e no actual sistema político da democracia portuguesa: hoje, quase 50% da população portuguesa registada para votar (a cada eleição mais nos aproximamos do valor de 50% desses) não vota, e até menos participam nos referendos que têm sido convocados (ironicamente no único momento em que a afirmação da vontade popular é plenamente directa e soberana, e não somente um instrumento de delegação em outros, como no resto do nosso modelo de democracia representativa); os que votam são quase somente militantes ou apoiantes dos partidos e um ou outro votante independente que por esta ou aquela razão seja atraído para participar na eleição; fora os (pouco participados) referendos, só os cerca de 50% dos votantes inscritos é que de facto têm voz no governo do país; destes, só aqueles que participam através dos cinco partidos com representação parlamentar têm plena voz; as políticas aplicadas no governo por PS ou PSD e CDS são extremamente similares, o que mostra que mesmo os votantes, apoiantes e militantes deste partido não têm voz nos partidos que apoiam, que os “traem” aberta e desenvergonhadamente; porque os partidos governam (e não falo só dos partidos do “arco da governação”, mas mesmo dos partidos que governam no nível autárquico) para defender os seus financiadores, as suas elites partidárias e os seus “tachos” em torno dos aparelhos governativos e sociais em seu redor. Basicamente, com os actuais sistemas e muitas das outras alternativas políticas propostas, só participam (isto é uma estimativa pessoal feita “de cabeça”) 0,005% das pessoas; não sendo perfeito (como nada é), temos a certeza de que o nosso modelo conseguirá ser capaz de alcançar uma parte muito superior da população portuguesa, bem para lá dos 50% desta. Se com esta solução conseguirmos mais pessoas a participar na coisa pública e na política, como é que isso pode ser mau apenas por não conseguir abarcar 100% da população? Entendo o que propõe é que se melhore totalmente o sistema actual, passando dos possíveis 0,005% de participação actual na política para 100%, e que portanto, na sua opinião, o nosso sistema será uma provável mas insuficiente melhoria. Mas achamos melhor que, com os riscos possíveis, se avance com modelos alternativos que vão, consideravelmente, aumentar a participação, e ir melhorando depois o modelo conforme este for avançando e melhorando a nossa democracia fazendo o melhor possível para uma maior participação e envolvência dos cidadãos na coisa pública, o que só se fará dando o poder ao cidadão através de um partido político onde o cidadão comum, enquanto militante e apoiante de dito partido, mande realmente, em pé de igualdade (sem hierarquias partidárias), através do seu voto e da sua opinião. Acima de tudo, o nosso partido não é só um partido mas um exemplo que esperamos que seja tomado por outros partidos para eles próprios ultrapassarem a sua gestão de cima para baixo e buscarem outras formas de tomada de decisão interna, que no fim consigam fazer a nossa democracia transitar para uma democracia plena, semi-directa.
    Em relação ao modelo de democracia semi-directa em vigor no partido Demoex na Suécia, devo dizer que entendeu mal: não defendemos o dito modelo tal como está (por isso não se justificando acusações de “copy paste” do modelo demoex), usámos sim o modelo desse partido para dar uma ideia do modelo de participação online (a única coisa em que ainda colhemos alguma influência dos Demoex), portanto para fazer analogia, e porque a eleição desse partido para a assembleia de um subúrbio sueco prova a possibilidade de sucesso eleitoral de um partido democrata semidirecto numa democracia representativa ocidental como (com as devidas diferenças) a Suécia ou o nosso Portugal. Devo dizer que, se o funcionamento do modelo da “democracia experimental” fosse perfeito nós não nos importaríamos de todo de fazer um copy paste dele ou de sermos acusados de ser um copy paste do dito partido, mas consideramos que, embora interessante e bom exemplo, é um partido com uma falha fundamental: não tendo estrutura permanente, o partido só existe como representação parlamentar autárquica e como sítio na rede, o que limita o partido a (por agora pelo menos) um representante eleito e a equipa responsável pelo sítio, não tendo portanto militantes enquanto tal (excepto contando os criadores do próprio partido), o que faz do Demoex um verdadeiro “partido/website”. Nós pelo contrário defendemos uma estrutura permanente entre eleições (não de hierarquia clássica, mas não menos existente, com comité e afins, que servem não como “mandantes” dos assuntos do partido mas como centros de recolha de opiniões dos apoiantes e militantes sobre as diferentes áreas de discussão na sociedade). Muito antes da discussão do modelo demoex ter sido discutida já neste século, à mais de 25 anos que alguns dos membros fundadores do nosso partido andam a discutir modelos alternativos (aos quais as novas tecnologias serviram de pedra de toque, mas não de eixo total, visto que o essencial do nosso projecto é um modelo de democracia, que simplesmente usa as novas tecnologias como um canal para a realização deste). Para ficar com uma ideia, proponho que visite a secção do nosso site sobre a nossa forma de organização partidária interna disponível em http://pdcportugal.wordpress.com/organizacao/organograma/.
    Em relação à questão do alcance da internet, devo dizer que não tem relevância nem o propósito para o qual as pessoas usam a internet em suas casas, nem a idade destes, para o nosso fim. Explico porquê: se a internet é para se educarem ou se é para lazer, todos sabemos que, o(s) uso(s) dado(s) pela internet são diversificadíssimos, e sabemos que muitos utilizadores não estarão particularmente interessados em política, mas a nossa iniciativa, embora use a internet para alguma atração de apoiantes (já conseguimos, com a votação que suscitou a sua resposta alguma pequena visibilidade), usará principalmente a internet para reunir e envolver activamente os apoiantes atraídos por sensibilização em pessoa. Quanto às idades dos utilizadores da internet, isso não nos afecta negativamente o projecto visto que o nosso projecto, admitimos, num primeiro momento a nossa popularidade poderá ser relativamente limitada a um grupo maioritariamente “de 50 anos para baixo”, mas com o tempo (devido aos nossos contactos com outros pequenos projectos partidários e listas independentes locais) à recolha de opiniões através de encontros em sedes, comícios e tertúlias físicas, conforme o crescimento do partido e sua afirmação numérica, embora as ferramentas tecnológicas fiquem sempre como pedra de toque essencial para a expansão do nosso modelo. Quanto à questão da idade, acrescentamos que têm havido bastantes programas no interior e no mundo rural para info-inclusão de idosos, com bastante sucesso (o que prova que mesmo que escolhêssemos uma existência puramente virtual, que não escolhemos, não ficaríamos “a leste” de todo o país). Nós não planeamos ser um partido dos “nativos digitais” (as gerações que cresceram com a novas tecnologias), das zonas abarcadas pelas ligações à internet, nem tecnocratas contra o interior e a terceira idade. Usamos estas ferramentas como maneira mais simples e eficaz de impulsionar um partido pela democracia semidirecta e a aplicar em autarquias onde formos conquistando o poder.

    Obrigado e os melhores cumprimentos
    Ricardo Araújo – Coordenador Geral
    Vítor Monteiro – Coordenador de Comunicação

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