Sugestões para quem quiser fazer desobediência civil

Para começar, informamos que o nosso partido* não tem como estratégia para renovação do nosso sistema político e socioeconómico a desobediência civil, pacífica (a desobediência civil propriamente dita vinda de Thoreau, Tolstoy, Gandhi, Luther King e outros) ou violenta (a revolução). O nosso modelo é de um partido com descentralização e democracia interna, sem modelo de-cima-para-baixo (como poderão confirmar nos organogramas sobre o nosso modelo de organização interna colocados neste site), sendo que agiremos não só como partido mas como lobby pela expansão deste modelo a outros partidos e à nossa política em geral. Mas ante algo que aconteceu ontem, no dia da greve geral, mais especificamente três acontecimentos que são de temer para o desenvolvimento da democracia portuguesa, temos de comentar. Falamos:
* da violência dos piquetes de greve contra os trabalhadores que se recusaram a fazer greve e estavam pura e simplesmente a tentar ganhar a sua vida, e destruindo também materiais das empresas em que trabalham
* das acções de pequenos grupos em frente à Assembleia da República que desfizeram as calçadas para atirar as pedras a polícias, e que atiraram também very-lights e petardos, e começaram fogueiras em via pública
* e da reacção policial subsequente, que afecta vários manifestantes pacíficos ou transeuntes que eram simples espectadores.
O nosso partido projectado defende, como todos os democratas, o direito à greve, mas em conformidade com a nossa visão aprofundada e inclusiva da democracia, achamos que os direitos não podem ser dados à custa dos direitos de outros cidadãos, como tal somos contra os piquetes de greve, principalmente os violentos e destructivos, porque defendem o direito à greve (contestado por ninguém no actual sistema político português, acrescente-se) à custa do direito a não fazer greve (e de ganhar mais um dia de um salário pequeno mas que esses trabalhadores e as suas famílias precisam para viver).
Quanto aos problemas dos manifestantes pacíficos e da reacção policial, sugerimos aos manifestantes pacíficos que evitem a Assembleia como local de protesto, visto que esse é o local utilizado pelos grupos violentos para as suas acções visíveis. Os alvos da desobediência civil pacífica em Portugal devem ser os verdadeiros focos de problema para os Portugueses: ministérios, repartições de finanças e piquetes de greve; são esses o locais onde os manifestantes pacíficos são precisos, combatendo, pacificamente, a corrupção ministerial, os impostos elevados e as formas de luta violenta e não-democrática (por desrespeitarem os direitos dos concidadãos). Assim não haverão confusões, os pequenos grupos de manifestantes violentos não terão escudos humanos nem carne para canhão para os seus fins, e ficarão reduzidos à sua insignificância.

Novamente acrescentamos, para concluir, que o nosso partido não defende a desobediência civil como estratégia de luta para nós próprios, mas sim o aprofundar da participação popular nos processos decisórios dentro dos partidos e no sistema político em geral, mas achamos a desobediência civil pacífica uma estratégia louvável, e que com todo o direito deve ser usada pelos nossos concidadãos, e por isso se vocês, os nossos compatriotas, insistirem e tiverem de facto de usar uma estratégia de desobediência civil, para o bem do país e uma melhor condução da vossa (não nossa, relembramos) estratégia de luta fazemos estas sugestões.

*Com o nome provisório de Partido Democrata do Cidadão Portugal. O nome final está, em conformidade com o carácter democrata interno do partido, a ser decidido por uma votação online, cuja primeira volta se encontra em https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dGZoYm1jTVlmTTdKM3FCSmhzQUpsdFE6MQ#gid=0, originalmente para acabar a 15 de Dezembro mas que prolongámos até dia 22 do mesmo mês

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